Sempre que vemos esse tipo de notícia, nos perguntamos: o que aconteceu pra fazer a China optar por pagar mais caro? Mas antes de responder isso, existe uma conta que você precisa saber pra chegar no que a gente chama de “pagar mais caro”. O nome dessa conta é custo de reposição.
Vamos começar pelo que aconteceu. Essa foi uma semana muito ativa no mercado de soja: mais de 50 navios negociados com destino à China, sendo pelo menos 15 saindo dos Estados Unidos — 8 pelo Golfo e 7 pelo Pacífico (PNW). Traders em Beijing falam que a China vai acelerar o ritmo de compras até setembro, antes da visita do presidente Xi Jinping aos Estados Unidos.
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E aqui está o detalhe que chama atenção: a China pagou mais caro exatamente na origem que ela mais comprou. Para entender se isso faz sentido, ou se tem outro motivo por trás, a gente monta a conta do custo de reposição.
Passo 1: o FOB de cada origem
Custo de reposição é a conta que mostra quanto custaria repor uma mercadoria trazendo de uma origem diferente. E ela sempre começa no FOB (Free on Board): o preço da soja colocada a bordo do navio, no porto de origem, sem frete, em centavos por bushel.
Naquela semana, o FOB de cada origem estava assim: Argentina +35, Brasil +95, Canadá +110, Golfo americano (USG) +112, PNW americano +175 — todos em centavos sobre o contrato de referência em Chicago.
Passo 2: converter o frete pra mesma unidade
Só que o FOB isolado não decide quem é mais competitivo, porque cada origem tem um frete marítimo diferente até a China. E esse frete costuma vir numa unidade diferente da do FOB: dólar por tonelada, não centavos por bushel.
O frete daquela semana: Argentina US$55/t, Brasil US$45,80/t, Canadá US$28/t, PNW US$34,10/t, Golfo US$60,80/t. Para comparar com o FOB, você multiplica por 100 e divide pelo fator de conversão da soja, aproximadamente 36,7454 bushels por tonelada, transformando o frete em centavos por bushel. É esse tipo de conversão entre tonelada, bushel e saca que se aprende no Grão Guru.
Passo 3: FOB mais frete é o preço posto na China
Somando FOB e frete convertido, você chega ao CFR China: o preço final que o comprador chinês paga, já incluindo origem e frete até o porto de destino. Naquela semana, o resultado foi: Argentina +188, Canadá +180, Brasil +230, PNW +270, Golfo (USG) +285, todos em centavos sobre Chicago.
Então, por que a China pagou mais caro?
Argentina e Canadá saíram mais baratos que o Brasil, principalmente por uma questão de qualidade da soja. Mas o dado que realmente chama atenção é outro: a soja americana saiu mais cara que absolutamente todas as outras origens, e ainda assim foi pros Estados Unidos que a China mais comprou naquela semana.
Quando o número não fecha pela conta do custo de reposição, o motivo costuma ser outro. Nesse caso, é político: as empresas estatais chinesas estão comprando nos Estados Unidos mesmo sendo a origem mais cara, seguindo o calendário da visita de Xi Jinping em setembro, não a lógica de preço.
É exatamente essa conta que se aprende no Grão Guru: ler o mercado com número, não com achismo. É esse o preparo que certifica o profissional do agro a operar no mercado, a certificação ANCORD Agro 100
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