Por Eduardo Vanin 05/12/2025
Os bastidores do mercado da soja voltaram a ganhar atração e, mais uma vez, a China dita o ritmo do jogo. Na nova rodada de compras nos EUA, o país já se aproxima de 50% do seu programa, com embarques avançando para fevereiro e março.
Entre compras políticas, tarifas ainda elevadas para a soja americana, Brasil mais competitiva, risco de excesso de oferta no primeiro trimestre e uma curva invertida no flat price, a formação de preços entra numa nova fase.
Com margens ruínas, estoques pesando e logística pressionados, o que está em jogo agora não é só quem vende, mas como o mercado vai se reposicionar nos próximos meses.
Nesta edição, a lupa é sobre a China, os impactos dessas compras, os reflexos sobre prêmios, CBOT e a tarefa do Brasil encontrar novas janelas difíceis de demanda.
Bora revisar o básico!
Aceitar ou pagar
Esse termo se refere ao tipo de contrato logístico muito comum em mercados de graneis. Pode ser para terminais de escoamento ou transporte. Nesse tipo de contrato, o contratante tem a obrigação de volume mínimo de uso, medido em toneladas. No caso do volume abaixo, o contratante deverá pagar uma multa sobre o valor do volume não utilizado – em termos gerais, 70% do valor do frete. Em termos práticos, em muitos momentos vale mais a pena originar grãos com margens apertadas ou negativas do que pagar a multa. Também é possível rolar os volumes não performados. No geral, os exportadores não preferem continuar com o programa, mantendo o giro de seus ativos e estrutura.
Curva interna
A curva do preço plano da soja CFR China está invertida.Os embarques mais curtos são mais caros do que os longos. Carregar essa soja em estoque é carregar um estoque caro, não faz sentido.
Hoje o assunto é: A China está perto dos 50% do seu programa de soja nos EUA. Mudanças para a precificação da soja
Futuros do milho na DCE continuam subindo. Do dia 15 de outubro até agora alta de 5,5%. Não é normal que o rali comece tão cedo. O normal é o físico começar a puxar após o movimento de farmer sell pós-safra e leilões de estoques – geralmente depois de maio.
As exceções foram os anos de 2018, 2020 e 2022 – em 2018 estava perto do piso de preço, em 2020 problemas de safra e crescimento da demanda interna e 2022 a alta do milho importado (invasão da Ucrânia). Esse ano o rally ainda não é tão expressivo, mas é atribuído à qualidade.
Além disso, o trigo também está subindo, substituto direto. A China roubou e sorgo nos EUA, volumes pequenos, mas os fundamentos mostram que pode crescer bem, até porque a China recebeu o menor volume de cereais nos últimos 5 anos – recebeu 21,8 Mi t no acumulado de 12 meses até outubro, menor volume desde julho de 2020 (o pico foi 65 Mi t em abril de 2022).
A alta do milho está puxando o amido e o suíno na DCE. A Ucrânia está com problemas ainda maiores e o programa do Brasil de milho já está nos seus finalmentes. Se a China comprar grandes volumes de milho, sorgo e trigo vão ser nos EUA. Seria uma demanda adicional não esperada para o milho. Imagina o programa americano passando de 80 Mi t? Seria uma mídia semanal de embarques de 1,5 Mi t – muito forte. O PNW e o Golfo permaneceram bem ocupados. Imagina só se o produtor americano reduz a área de milho (custo alto e rotação) e o Brasil de jabu no clima?




