Mudanças no mercado global do milho
Nesse podcast você vai entender como as negociações são feitas no mercado global e como isso afeta a formação de preço.
Contexto
No mercado doméstico, o Mato Grosso continua sustentado, mesmo com o avanço da colheita e reportes de produtividades muito boas. O ponto é que o replacement continua praticamente impossível para a exportação.
Ao mesmo tempo, o mercado ainda discute o tamanho real da safrinha. Há lavouras muito boas, mas também começam a aparecer produtividades menores em áreas plantadas fora da janela. O mercado ainda está debatendo o tamanho da quebra em Goiás e seus impactos para o mercado local e para a exportação – Goiás exportou 4 Mi t no ano passado. Algumas regiões estão há 60 dias sem chuvas.
No Mato Grosso do Sul, o mercado segue lento, com baixa liquidez e preços praticamente estáveis. As tradings estão esperando as tabelas das ferrovias para a janela SOND para se posicionar. Esse ano os descontos precisam ser maiores que o ano passado. O diesel será uma barreira. Na Argentina, o milho também ficou mais firme, no Up River e Panamax. Mesmo assim, o milho argentino segue dominando.
Tenders
Coreia abriu uma nova tender para 02 cargos. As menores ofertas a \$260,31/t CFR com ETA 22 de outubro e \$262,5/t CFR para chegada em 30 de outubro. As indicações do PNW para setembro subiram 5-10 c/b WoW. Ofertas a +145cu. O Vietnã comprou alguns cargos de milho da América do Sul com ETA outubro e novembro a \$258/t CFR, abaixo do replacement.
O gráfico do replacement CFR Ásia mostra bem essa disputa. O Golfo aparece como a origem mais cara; \$273/t embarque julho CFR a \$289/t dezembro. O PNW é competitivo para embarque agosto, setembro e outubro. Santos fica relativamente estável entre julho e novembro, perto de \$260 a \$264/t. A Argentina vem ganhando tenders na Ásia, vendendo abaixo do custo do replacement calculado entre \$261 a \$262/t. É a combinação de grande safra e pressão de escoamento, além da preferência de venda do produtor – está vendendo milho e segurando soja.
| J | A | S | O | N | D | |
|---|---|---|---|---|---|---|
| USG | 273 | 274 | 276 | 282 | 282 | 289 |
| PNW | 261 | 258 | 264 | |||
| SNTS | 260 | 263 | 264 | 263 | 263 | 272 |
| ARG | 261 | 262 |
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- Replacement
- Quando falamos em replacement, estamos falando do custo de reposição da mercadoria. No caso do milho, o exportador não olha apenas o preço do produto no interior. Ele precisa montar a conta completa: preço de compra no interior, frete até o porto, elevação, despesas portuárias, margem, impostos quando aplicável, câmbio e preço de venda no destino.
- Se essa conta fica acima do preço que o comprador internacional está disposto a pagar, ou se há origens vendendo abaixo, essa origem/corredor está caro. Isso não significa que não existe milho. Significa que o milho existe, mas não está no preço certo para gerar novos negócios na exportação.
- Também é importante entender o papel da logística. No Brasil, a colheita pode estar avançando, a produção pode ser grande, mas se o frete sobe, se a ferrovia encarece, se o porto está cheio ou se o interior está pagando mais que a exportação, o programa externo perde competitividade. É por isso que o mercado acompanha tão de perto as tabelas ferroviárias, os lineups, os prêmios FOB e o comportamento do mercado doméstico. O câmbio tem papel fundamental na competitividade.
- Diferença entre FOB e CFR
- FOB é o preço da mercadoria colocada no navio, no porto de origem. O comprador assume o frete marítimo e o risco a partir dali. CFR é o preço entregue no porto de destino, já incluindo o frete marítimo. Por isso, quando comparamos Brasil, Argentina, Golfo e PNW para compradores asiáticos, precisamos transformar tudo em uma base comparável: CFR Ásia.
- Competitividade
- As tradings fazem cálculos de replacement para todas as origens e diferentes corredores que têm acesso (originação). O corredor mais competitivo é aquele que apresenta esse cálculo mais barato. Além disso, também há detalhes como qualidade e opcionalidade.
- Tender
- Licitação de compra. No caso do milho, praticamente todos os países importadores realizam licitações através de empresas privadas e estatais. A ideia é comprar a origem mais barata para as janelas de entrega de interesse. O tender também evita concorrência entre as empresas e destinos.




