Quem está substituindo a soja americana nas compras da China?
A China, maior compradora de soja do mundo, parece ter redesenhado sua rota de abastecimento. E os Estados Unidos, tradicional fornecedor, estão ficando para trás.
O programa americano esfriou
O programa de exportação de soja dos EUA representa atualmente apenas 6% da projeção do USDA. Em condições normais, esse número estaria entre 15% e 20%. Estamos diante do ritmo de vendas mais lento em mais de 20 anos.
Os principais compradores até agora foram México e Paquistão. A China, por outro lado, ainda não comprou nada da nova safra americana.
Mesmo com declarações positivas sobre as negociações comerciais com a China, o agro americano ficou de fora. Isso gerou frustração entre os produtores, especialmente os de soja. Enquanto milho e farelo seguem com bom desempenho, a soja ficou para trás.
A China se abastece em outras origens
Sem compras dos EUA, a China está cobrindo sua demanda com soja do Brasil e da Argentina. Para embarques em outubro, aproximadamente 45% já estão cobertos — sem participação americana.
Na semana mais recente:
– 24 embarques do Brasil (safra velha)
– 10 embarques do Brasil (safra nova)
– 4 embarques da Argentina (embarque outubro)
– 0 dos EUA
No mesmo período do ano passado, os EUA já haviam vendido 35 embarques de soja nova para a China. Este ano, nenhum.
Os prêmios respondem
Com a ausência da China, os prêmios da soja americana caíram. Já os prêmios brasileiros subiram entre 20 e 30 centavos por bushel na última semana.
A diferença total entre o produto brasileiro e o americano, incluindo tarifas, caiu para apenas US$ 13 por tonelada no embarque de outubro CFR China.
A Argentina voltou com força
Com a redução das retenciones, um câmbio oficial mais atrativo e margens positivas para os exportadores, a Argentina voltou a ganhar espaço no mercado chinês.
Nesta temporada, os argentinos já venderam 92 embarques de soja para a China. No ano passado, haviam vendido apenas 32.
Além disso, a soja argentina está chegando à China com um desconto de até 50 centavos por bushel em relação à brasileira. As indústrias chinesas estão aproveitando esse cenário para fazer blends entre soja brasileira e argentina, melhorando suas margens.
Conclusão
A soja americana perdeu espaço. A China vem se abastecendo com Brasil e Argentina, e as perspectivas para o programa dos EUA seguem frágeis. O mercado está atento à movimentação dos prêmios, à competitividade das origens e às decisões políticas e comerciais que podem influenciar os próximos embarques.
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