Recordes na produção de ração na China

Produção de rações na China bate record. Poderia ser uma excelente notícia

Por Eduardo Vanin 20/12/2025

Os bastidores do mercado da soja seguem movimentados, com a China mais uma vez no centro das atenções. A produção de rações bate recorde, mas o avanço vem acompanhado de margens negativas no setor suinícola e maior eficiência produtiva.

Com a aproximação do Ano Novo Lunar, o mercado entra em um período-chave: aumento do abate, formação de estoques e incerteza sobre o tamanho do rebanho após o feriado.

Entre registros, preços urgentes e risco de excesso de oferta no pós-feriado, o foco agora é entender os impactos sobre a demanda por soja e farelo no início do ano.

Hoje o assunto é: Produção de rações na China bate record. Poderia ser uma excelente notícia

Olhando para a demanda de rações na China, há dois fundamentos em ação: A produção de rações bateu novo recorde. Em novembro a produção ficou em 28,7 milhões (85% do mercado). No ano a produção está em 308 Mi t, crescimento de 13% a/a. É o maior volume da série – registro anterior em 2023, 296 Mi t. Seria de festejar se não fosse o prejuízo e o excesso de produção de carne suína.

A população de matrizes já não é mais o problema – está estável em 40-40,5 milhões de cabeças desde junho do ano passado. O que está apostando é eficiência. O setor está se consolidando (50% do mercado grande e médio). Isso quer dizer: aumento da produtividade das porcas, melhor controle de doenças e menor desperdício de rações. O abate diário de suínos de grandes operações não para de crescer, jogando os preços para mínimos.

Em novembro, a média diária de redução foi de 142 mil porcos. Em dezembro a média diária saltou para 162 mil – em dezembro do ano passado a média diária foi de 152 mil. Olhando a sazonalidade, o abate diário vai continuar crescendo até o feriado Lunar (em fevereiro), chegando a 200 mil por dia. A questão mais importante para a demanda por rações e grãos é o tamanho da população de suínos após o feriado lunar. Esse ano a população começou maior que nos anos anteriores – isso explica o crescimento da produção de rações. A diferença é que os produtores viraram o ano com lucro, pequeno, mas no azul. Esse ano está abaixo do custo de produção desde outubro. Ninguém anima em estender cobertura de farelo. O contrato do suíno vivo no DCE está perto dos mínimos desde que o contrato foi lançado em 2022 – o contrato de janeiro estava em 20 iuan o Kg em julho. Hoje está 11,3 iuan e continua cavando o poço. O custo de produção gira de 13 a 18 iuan por Kg – todos estão sem prejuízo.

A relação com o Ano Novo Lunar e a demanda de carne

O Feriado do Ano Novo Lunar é o evento mais importante do calendário chinês para a demanda de carne suína.

1) Pilar cultural: porco = proteína central do feriado

  • A carne suína é a proteína número 1 da dieta chinesa.
  • Pratos tradicionais do Ano Novo Lunar (dumplings, hot pot, carnes curadas) dependem diretamente de carne suína.
  • O feriado simboliza abundância e prosperidade, o que eleva o consumo per capita.

Resultado: pico sazonal de consumo concentrado em poucas semanas.

2) Corrida pré-feriado: abate e estocagem

  • Nos 60–90 dias antes do feriado, frigoríficos e grandes integradores:
  • aceleram o abate diário,
  • formam estoques de carne fresca e congelada,
  • tentam capturar margens antes do fechamento das plantas durante o feriado.
  • O abate diário costuma crescer continuamente até o feriado, atingindo o pico exatamente nas semanas finais – maior consumo de ração, maior demanda por farelo de soja e milho, pressão logística em toda a cadeia.

3) O “dia seguinte” é o que realmente importa

O ponto mais relevante não é o pico antes do feriado, mas o que sobra depois. Após o Ano Novo Lunar: consumo desacelera bruscamente, abates caem, frigoríficos avaliam estoques remanescentes, produtores decidem se reduzem ou mantêm o plantel.

O tamanho do rebanho após o feriado define:a trajetória da demanda por ração no 1º e 2º trimestres – plena colheita e movimentação de soja no Brasil – o ritmo de compras de soja e farelo, o tom estrutural do mercado (aperto ou excesso).

4) Quando o mercado vira problema

Situação atual: o rebanho entra no feriado maior que o normal, a eficiência produtiva é elevada (mais carne por matriz), o consumo não cresce na mesma proporção.

Riscos para a demanda por rações: excesso de carne pós-feriado, preços do suíno pressionados, margens negativas, produtores reduzindo cobertura de ração.

5) Porque traders olham para o feriado. O Ano Novo Lunar responde a três perguntas-chave:

  1. Quanto o sistema conseguiu absorver antes do pico?
  2. Qual o tamanho real do rebanho após o feriado?
  3. Os produtores saem capitalizados ou descapitalizados?

O que é importante ao longo do ano para o complexo da soja:

  • A velocidade do crescimento do rebanho.
  • Se haverá reposição agressiva ou defensiva.
  • Diferença de velocidade de crescimento dos estoques de suíno VS. a ritmo do esmagamento de soja e entrega de farelo.

Em resumo: O Ano Novo Lunar não é apenas um pico de consumo. Ele é o teste de estresse do sistema suinícola chinês. O mercado não reage ao feriado em si, mas ao processo de formação de estoque antes e à retomada depois.

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